Mensagem da presidência
Lema: Tempo de Crescer 2008 - 2012

Estudos

Estudo Pr. Onésimo

CELEBRAR O DIA DOS MORTOS?

O tema da relação do mundo dos vivos com o mundo dos mortos sempre foi muito controvertido e alvo de muitos conceitos errôneos ensinados e praticados pelas diversas religiões. Devemos dar a devida atenção a este tema, pois a perda de alguém amado gera dor emocional e muito sofrimento que é, para muitos, difícil de ser superada. Nesse contexto de dor e fragilidade é que muitos se tornam prisioneiros dos falsos ensinos religiosos.

Os povos primitivos cultuavam os ancestrais não só para entrar em contato com os mortos no intuito de reverenciá-los, como para se fazer ajudar por eles. Já a igreja Católica apostólica romana ensina queos fiéis não devem fechar os ouvidos aos gemidos dos falecidos que padecem no purgatório, que levantam suas mãos suplicando o nosso auxilio e que isso seria agradável a Deus e proveitoso às pobres almas, ou seja, que deveríamos ajudá-los.

O sincretismo entre a cultura cristã e a cultura celta deu origem à comemoração do Dia de Finados. Os celtas – povo que habitava a região da atual Irlanda – tinham no seu calendário a festa conhecida como Samhain. Nesse dia, os celtas acreditavam que os dois mundos – o dos vivos e o dos mortos – ficavam muito próximos e eles celebravam essa intersecção.

No século V, a igreja passou a dedicar um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava.
No século XI, o calendário litúrgico católico  incorporou o Dia de Finados, que deveria cair no dia 2 de novembro. O mês de novembro passou a ser dedicado às almas do Purgatório.  O dia de todos os mortos ou finados ficou estabelecido pela igreja católica a fim de celebrar todos os que morreram, estão no limbo ou não são mais lembrados.

Nós evangélicos acreditamos que o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentará o juízo (Hebreus 9:27). Não praticamos o culto aos ancestrais, nem a eles nos dirigimos para qualquer oração, pois entendemos que os mortos não podem nos ajudar, nem nós podemos ajudar ou alterar qualquer coisa na realidade dos mortos (Lucas 16:19-31)

Acreditamos que aqueles que morreram em Cristo estão aguardando a ressurreição do corpo – o que acontecerá por ocasião da 2ª vinda de nosso Senhor Jesus Cristo  (João 11.25; 1Ts.4:13-18) e os que não receberam a Jesus Cristo como Salvador e Senhor aguardam a ressurreição para o juízo final.
Do ponto de vista psicológico superamos o drama da morte passando por um processo onde se faz o “trabalho de luto”. Isso implica em tempo e um trabalho gradual onde choramos a perda e não a negamos. Os hebreus faziam isso muito bem quando choravam os seus mortos por vários dias (Gn.50.10). Fazemos a rememoração. Perder o ser amado não significa deixar de tê-lo conosco. Graças à MEMÓRIA. É preciso se despedir e se despedir neste caso não significa esquecer, mas saber lembrar, lembrar suficientemente bem. Fazer o luto é entender isso.

Do ponto de vista bíblico superamos a perda de um ser amado nutrindo a esperança da ressurreição. Diz o apóstolo Paulo: “Os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. Consolem-se uns aos outros com essas palavras”.
É nesta perspectiva que lidamos com a separação daqueles que já partiram para a outra dimensão da existência e com a realidade da morte, a qual não devemos temer, mas devemos estar prontos para enfrentá-la, vivendo de tal modo a merecermos a expressão “SAUDOSO”.


Pr. Onésimo Ferreira da Silva - Psicólogo

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